A água do chuveiro estava tão quente que sua pele branca estava ficando vermelha. Mas ela não se importava. Cada forte gota d’água que sentia cair nas costas era reconfortante. Parada por alguns minutos embaixo d’água, abraçada a si mesma, procurava dissipar da memória o dia turbulento e relaxar. Enquanto observava suas mãos avermelhadas pelo calor da água, as unhas pintadas de azul turquesa, pensava: – Ele está há 18 horas de viagem daqui. 

Desliga o chuveiro, se prepara para dormir, mas antes tenta se concentrar no livro que está lendo, só faltam 10 páginas para terminar e ainda não conseguiu descobrir se o personagem está sonhando ou se realmente fez uma viagem para 80 anos no futuro*.

De repente um galo canta, então presta atenção, ouve grilos e o som de um caminhão passando longe no asfalto. Um zunido no ouvido, é o sono. Hora de dormir, de deixar para descobrir se o personagem sonhara ou viajara, e deixar para pensar na distância de 18 horas, que virou um segundo pensamento, para o dia seguinte.

*Ela estava lendo “Viagem de meu irmão Alexei ao país da utopia campesina” de Alexandr Vasilievich Chayanov (literatura russa).

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