O menino da carrocinha de lixo

Nova ImagemHavia um menino que todos os dias passava no mesmo lugar junto com seu pai. Observava tudo e todos ao redor antes de segurar as rédeas do cavalo que puxava a carroça sob ele, para seu pai, num movimento rápido e ágil que estava acostumado a fazer, trancando a respiração, entrar em mais um contêiner de lixo. 

Procurava ele ali uma esperança pra um futuro incerto, que só com os materiais coletados tinha, talvez, a oportunidade de conseguir. Papeis, plásticos, papelão…  —  Filho!  — exclama o pai  —  Veja só, encontrei um óculos! E os dois riem colocando o óculos e fazendo caretas.

Mas o óculos não escondia o olhar distante do menino que ainda segurava as rédeas para firmar a carroça em plena ladeira da Floriano Peixoto, observando as pessoas que passavam na calçada.

 

O que será que ele pensava? Será que ele pensava que estar com seu pai pela cidade toda, de contêiner a contêiner, era como uma aventura? Será que ele olhava as pessoas na rua e se imaginava no futuro como algumas delas, levantando cedo, vestindo uma camisa, sapatos, pegando sua pasta e indo trabalhar, no caminho passando na padaria para comprar um café? Ou ainda, indo para a faculdade?

Enfim, o que se passa pelo pensamento de um menino carroceiro?

Inspirado nas crianças que trabalham na coleta de material reciclável em carroças em Santa Maria, Rio Grande do Sul.

Fotografia: Bibiana Rabaioli Prestes

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