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Terminei ontem de ler o livro HAITI, a Soberania dos Ditadores, de Ricardo Seitenfus.

O livro trata da história do Haiti na década de 90, principalmente até 1994, quando Seitenfus havia retornado da missão de paz no Haiti como observador componente da OEA. Ele relata o tenso e dramático período vivido pelo povo que teve seu presidente Aristide, que tinha sido eleito democraticamente, deposto pelo golpe militar, e ficou nas mãos de ditadores monstros.

O autor traça a linha história desde a formação do país até o ano de 1994. Do primeiro país colonial da América Latina a se tornar independente do seu colonizador, a França, e primeiro e único país independente formado por africanos fora da África, ao povo sofrido lutando para retomar uma democracia que ainda estava frágil por causa uma “crônica instabilidade política”.

A leitura de “Haiti, a Soberania dos Ditadores”, abre horizontes da formação de conhecimento de mundo. Através deste livro, é possível ver um país que, de certa forma parece viver ainda na Idade Média, dada a falta de desenvolvimento econômico e falta de qualidade de vida naquela região. Mas, que também retrata a força que esse povo tem, de suportar o que passou, a persistência por uma vida e um país melhor e a alegria, que até mesmo em tempos difíceis, está presente.

Trechos:

“Para os haitianos, além da violência, quando há um esboço de reação à abordagem dos militares, o resultado pode vir a ser a prisão, como penalidade por não querer ser agredido imotivadamente.” p.21.

“Louverture ocupa militarmente a cidade de São Domingos em 28 de janeiro de 1801 e transforma-se no líder absoluto de toda a banda espanhola da ilha. No dia 9 de maio seguinte, redige uma Constituição e atribui-se o título de governador e general vitalício. Primeira carta constitucional da América Latina, dispõe em seu artigo terceiro: ‘A escravatura está para sempre abolida. Não podem existir escravos sobre este território’.” p. 30.

“Resgato em minha memória as incríveis imagens dos moradores da ilha, as expressões de profunda dor e de espontânea alegria. Apesar da consciência de que são imensas as dificuldades e infortúnios que enfrentará qualquer governo democrático, não consigo deixar de sentir uma grande alegria ao imaginar a chegada de Aristide e creio que o desafio aumenta a emoção.

Quanto ao povo, retomar as rédeas de seu próprio destino e solapar seu sanguinário opressor é uma vitória, acima de tudo, do homem sobre suas próprias mazelas. A maneira pela qual isso ocorreu no Haiti, inusitada, instigante e polêmica, é que merece uma análise desprovida de preconceitos e anacronismos, que infelizmente proliferam nos meios políticos e acadêmicos.” p. 119.

Ps: Ricardo Seitenfus foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), projeto pioneiro que privilegia o enfoque internacional do conhecimento jurídico, e a dirigi de 2004 a 2008.  Site: www.seitenfus.com.br

Faculdade na qual cursei Direito 🙂

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