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Naquela noite havia chovido, ainda podia ouvir algumas trovoadas, certamente choveria mais um pouco durante a madrugada. Em seu quarto escuro e silencioso, podia ouvir junto ao pio de uma coruja nas árvores perto de sua janela, o som dos caminhões passando no asfalto ao longe. Não estava frio, mas também não estava calor. Pelo vidro entreaberto da janela sentia entrar um arzinho fresco de chuva e, como já era agosto, uns três edredons e meias eram suficientes. Nas mãos uma xícara de chá de camomila, mais para agradar do que para aquecer.

Estava com a cabeça a mil, cheia de pensamentos em desordem e inquietação. Para completar, podia ouvir o barulho que a geladeira fazia na cozinha de quando em quando, isso tirava a atenção que ela tentava por em sua leitura.

Fazia dias, provavelmente meses, que se sentia assim, inquieta, mesmo procurando se manter organizada, manter sua casa organizada, sua mente estava um poço profundo de desorientação. Se pergunta constantemente o que fazer, sabe bem o que está acontecendo, sabe o que deveria fazer, mas… – deveria por quê? Se sentia encurralada, encurralada pela situação, pelo o que esperam que ela faça, encurralada por si mesma.

Ao mesmo tempo pensa o quão efêmero isso é diante da grandiosidade do mundo e a da incógnita da vida. Valeria a pena seguir em frente com algo que não sabe se está com seu coração nisso? E se decidir que não, o que faria? Era preciso, agora, fazer de fato alguma coisa, chegara a hora.

Madrugada de segunda-feira, 15 de agosto de 2016.

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