Aquele R

O teu sotaque

Puxado, marcado, bonito

Me passou pela memória

Lembrança de uma quarta-feira.

Eu não sei fazer rima

Mas não dou a mínima

Só escrevo porque me anima.

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Um café

Lembro do cheiro torrado do café preto. Lembro do barulho que fez a térmica ao servir.

Lembro de ouvir passos antes de ver o vulto de alguém que acabara de passar.

Lembro do frio daquele gélido e estreito corredor de paredes duplas e pálidas.

Ele estava ali, logo à frente, alto, esguio, vestido de preto, escorado de lado na parede com um copo de café na mão, rindo baixinho, sorrindo pra mim.

Me olha densa-mente…

Seus olhos castanhos se fixam na minha mente, junto ao cheiro quente do café.

As Botas

Marrom bem desbotado,

um pouco de terra vermelha seca no couro já amaciado, marcado,

as solas com as marcas do pisar, desgastadas no dia-a-dia.

As botas.

As botas do homem forte do campo,

guerreiro que aguenta intempéries e que, cedo, ceva o mate, passa o café, calça as botas e vai pra atividade rotineira de cuidado do campo.

As botas que marcam a lida, que protegem e põem respeito.

As botas de quem respeito.